De intervalos na rua às canções prontas: a trajetória de Lebrubi
Manoel Laurindo Filho transformou o tempo entre um atendimento e outro em poesia, livros publicados e um trabalho musical autoral que revela sensibilidade, persistência e identidade própria.
Algumas trajetórias artísticas nascem nos lugares mais improváveis. A de Manoel Laurindo Filho, conhecido como Lebrubi, começou a ganhar forma em meio à rotina do trabalho, longe dos palcos e dos estúdios, mas muito perto da observação, da sensibilidade e da força criativa.
Durante 19 anos, Lebrubi atuou na área de telefonia, realizando serviços de manutenção e instalação de telefones residenciais e comerciais. Seu dia a dia era marcado por deslocamentos constantes, atendimentos em diferentes endereços e pausas inesperadas entre uma tarefa e outra. Foi justamente nesses intervalos, muitas vezes simples e silenciosos, que ele encontrou espaço para cultivar a arte.
O que para muitos seria apenas tempo de espera, para ele se transformou em matéria-prima criativa. Foi nesse contexto que nasceram suas primeiras poesias, escritas com o olhar de quem aprendeu a transformar instantes comuns em expressão verdadeira. Aos poucos, os textos foram se acumulando e revelando não apenas um hábito, mas uma vocação.
Essa produção literária amadureceu e ultrapassou o campo da escrita íntima. O resultado veio em forma de publicação: o primeiro livro em 1996 e o segundo em 1997, marcos que confirmaram a força de sua palavra e deram novo alcance ao seu talento.
Mas a caminhada de Lebrubi não parou nos livros. Fascinado pela sonoridade dos versos e pela musicalidade natural das palavras, ele passou a desejar uma nova dimensão para suas criações. Esse impulso o levou a ingressar em um conservatório musical, onde aprofundou sua relação com a música e começou a compor obras instrumentais.
Com o tempo, a arte voltou a se expandir. O encontro com um produtor musical abriu as portas para uma virada decisiva: suas letras poderiam finalmente ganhar corpo em forma de canção. Mais do que isso, surgiu a percepção de que sua própria voz também poderia integrar esse processo, tornando a obra ainda mais pessoal, autêntica e completa.
Hoje, Lebrubi vive uma fase em que poesia, música e identidade artística caminham juntas. Sua trajetória prova que a arte não obedece a fórmulas nem a tempos pré-definidos. Ela pode nascer no cotidiano, crescer no silêncio e florescer quando encontra o momento certo. Com carinho e gratidão, ele reconhece no amigo Reis o grande incentivador desse novo capítulo — aquele que ajudou a transformar palavras em melodia e sentimento em obra.
A história de Lebrubi é, acima de tudo, a prova de que talento e sensibilidade podem encontrar caminho mesmo nos cenários mais simples. E quando encontram, são capazes de se transformar em algo maior: uma obra que carrega verdade, memória e alma.